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guilhermebatilani.
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Relacionamentos

Por que me atraio por pessoas emocionalmente indisponíveis?

Atração, reciprocidade e disponibilidade são coisas diferentes. Entenda o que observar antes de investir numa relação que vive de expectativa.

Atualizado em

Duas janelas distantes, ligadas por uma faixa vermelha que não alcança o outro lado.

A pessoa passa três dias sem falar com você. Aí manda uma mensagem carinhosa, diz que está com saudade e pronto: o que estava te incomodando perde a importância por algumas horas.

Você pensa: “Tá vendo? Ela gosta de mim.”

Pode até gostar. A pergunta é o que ela consegue e quer construir com você.

É aí que muita gente se enrola. Um encontro incrível, uma conversa de madrugada, uma química absurda: tudo isso pode acontecer sem que exista disponibilidade para um relacionamento. Gostar desses momentos não é o problema. O cuidado está em perceber o quanto da relação você já está completando sozinho, na imaginação.

O que significa estar emocionalmente indisponível?

Essa expressão costuma descrever alguém que não consegue ou não quer sustentar a proximidade e o compromisso que o outro procura. Ela não é um diagnóstico que você faz depois de três mensagens.

A pessoa pode estar vivendo um momento difícil, querer algo casual ou simplesmente não querer aquela relação. Você talvez nunca saiba a explicação inteira.

Mas consegue observar algumas coisas: ela combina e aparece? Escuta quando você fala do que precisa? Consegue conversar sobre o que vocês estão vivendo? O interesse existe também quando é necessário fazer algum esforço?

Olhe para o que acontece ao longo do tempo. Um dia ruim não resume ninguém. Uma sequência que só funciona quando você aceita ficar em dúvida já merece uma conversa.

Você está conhecendo a pessoa ou esperando uma versão dela?

“Quando o trabalho acalmar, vai mudar.”

“Quando superar o ex, vai perceber.”

“Quando entender que pode confiar em mim, vai se entregar.”

Pode acontecer? Pode. Só que hoje você está tomando decisões sobre uma promessa que talvez nem tenha sido feita.

Pergunta simples: se a relação continuasse exatamente como está, você escolheria ficar?

Não responde pensando naquele fim de semana excepcional. Pensa na terça-feira comum. Na conversa que você evita. No quanto precisa adivinhar para saber onde pisa.

Às vezes, o que segura alguém é a expectativa de finalmente ser escolhido. Cada sinal de carinho parece confirmar que falta pouco. E cada sumiço vira um motivo para tentar mais.

Vale observar se isso acontece com você, sem transformar a resposta em motivo para se humilhar.

Fazer tudo certo não obriga alguém a te querer

Você pode tratar bem, demonstrar interesse, oferecer companhia. Isso está ao seu alcance. A decisão do outro continua sendo dele.

Eu falo bastante sobre isso porque é muito fácil transformar um relacionamento numa prova: “Se eu for paciente o suficiente, se eu não cobrar, se eu entender tudo, uma hora vai dar certo.”

Mas como vai dar certo se, para caber ali, você precisa esconder o que quer?

Existe espaço para adaptação numa relação. Existe também a sua vida, o seu tempo e o que você deseja viver. Colocar isso na conversa não é exigir que alguém sinta o que não sente. É permitir que os dois decidam sabendo o que está em jogo.

Você pode dizer: “Eu gosto de estar com você e quero construir uma relação. Isso faz sentido para você também?” Depois, preste atenção à resposta e às atitudes que vêm junto.

E se eu sempre me envolver assim?

Olhe para os começos. Quais sinais você percebe e deixa para depois? O que acontece quando alguém demonstra interesse com constância? Você consegue receber esse interesse ou passa a procurar o que está faltando?

Essas perguntas ajudam mais do que se definir como alguém que “só atrai problema”. Em por que repetimos padrões nos relacionamentos, eu aprofundo esse olhar sobre as cenas que acabam se repetindo.

Entender o próprio comportamento exige curiosidade sobre a própria história. No meu livro, Por Que Você Fez Isso?, esse é o convite: investigar o que existe antes da atitude, antes do julgamento, antes da explicação que parece óbvia.

Se você quer continuar entendendo o que te leva a investir tanto em certas histórias, vem conhecer o livro. Essa conversa pode começar justamente pela pergunta que você vem adiando fazer a si mesmo.